diários (?) de uma brasileira que veio parar em nova york... só que não exatamente.

terça-feira, 22 de maio de 2012

novaiorquizar a vida coração

no momento que você chega quase atrasada na penn station, sai atropelando pessoas pelas calçadas de manhattan, sobe escada rolante como escada normal e quase tem um treco quando um turista perdido demora mais que 10 segundos pra comprar um bilhete de trem/metrô é que você percebe que cruzou a ponte do turista pro residente. e de repente os turistas viram criaturas abomináveis e odiáveis que atrapalham o seu caminho com suas câmeras nikkon e suas sacolas da abercrombie & fitch, seus olhares bestas pras luzes da times square e as aglomerações intermináveis em torno de um cowboy peladão que impedem o trânsito normal de pessoas. de repente você nem acha mais o cowboy peladão super engraçado e nonsense. acabou o amor. você foi sugado pela internacionalmente conhecida simpatia (NOT!) novaiorquina.
eu, que reclamei tanto da frieza da cidade, e até vim morar aqui pras bandas do trem um pouco por causa disso (e dos aluguéis sem noção), agora super entendo a cara de putaquepariu constante dos novaiorquinos. inclusive, é só eu descer do trem pro semblante putaquepariu se apoderar de mim. é realmente irritante passar mais tempo engarrafada a pé do que de carro. e aí você tem horário, ou quer fazer xixi, ou tá com fome, ou simplesmente acordou sociopata e vem aquela muralha de gente aleatória atravancando as calçadas. e o povo não se mexe nem por um kct. e você lá quase saindo dando bolsada em todo mundo pra avançar meros 10 metros. é algo nível av. presidente vargas às cinco da tarde, só que com pessoas.
taí um lugar que inspira a bipolaridade: ou se vive na solidão eterna de dirigir até pra comprar presunto ou se cai no tapa pra atravessar a rua. meio-termo? não trabalhamos! mas saudade da presidente vargas às cinco da tarde eu não tenho mesmo! nem com todos os turistas do mundo no verão de nova york. nem levando 20 minutos de carro pra comprar pão. nessa você perdeu, brasil.

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