resolução de ano novo dá um azar do caramba, então resolvi voltar a dar vida a esta bagaça só agora. e mesmo assim foi só por motivos de: estou com saudades e não tenho grana pra pagar a terapia. ou: moro no fim do mundo e não tenho com quem conversar. ou ainda: não há lugar como o nosso lar. mas não farei a tia amargurada e chorarei minhas pitangas sobre todas as minhas desilusões novaiorquinas. como diria o poeta do boteco: a grama do vizinho sempre é mais verde. isso tanto vale pro que eu pensava de cá quando estava em terra brasilis e o que eu agora penso de terra brasilis estando cá. do alto da minha quase balzaquianice e alguns anos de análise eu sei perfeitamente que minhas lembranças do brasil são idealizadas ao extremo. mas que há coisas que a gente só aprende a valorizar quando está longe, isso há!
exemplos:
1 - cerveja de boteco sujo no copinho de mocotó + feijão amigo
ok, taí uma coisa que eu sempre valorizei na vida. nada, meus amigos, NADA substitui um pé sujo carioca, daqueles bem muquifo, só com uma portinha e mesas de plástico ilegais pela calçada. sou de uma frescurice sem fim com higiene, mas boteco bom é boteco mulambo com futebol em tv velha. aqui não pode beber na rua, o que já corta 75% da graça. aqui não existe aquele cervejinha rápida descompromissada depois de um dia daqueles. aqui, eu chego em casa, ouço maria callas e abro um vinho. um sofrimento classudo, mas chato ao extremo. e aqui não tem futebol :-/
2 - sol 365 dias por ano
não que eu sinta falta do calor desumano de um 457 lotado rumo a praia de ipanema - ou pior, rumo ao trabalho. mas se o rio fosse uns bons 10 graus mais fresquinho, teria o melhor clima do mundo! é muito sofrido ter uma praia quase na porta de casa e só poder usar 3 meses por ano. tô contando os dias pro verão voltar e virar gatchenha (metida a) surfista em todos os meus finais de semana/feriados (que são raríssimos). passar 15 dias ininterruptos de dias nublados é pra deprimir qualquer ser humano. por mais que você ache o frio algo charmoso.
3- buzão
que fique claro: o transporte público do rio é uma bela bosta. eu posso até estar nostálgica, mas há limites! jamais acharia aquilo lá uma maravilha. mas pense um lugar em que você precise dirigir pra tudo? que nem calçada tem nas ruas? e aí você junta com uma pessoa que ama dirigir - só que não. desastre! perde-se um tempo imenso com isso de carro quando não se é o carona. o buzão era o meu lugar sagrado pra ler, colocar meus estudos em dia, fuxicar a internet e dormir. ou seja, o engarrafamento acabava até sendo algo produtivo. agora eu só fico engarrafada, mas sem a "parte boa". não dá!
4 - matte com limão
se um dia eu descobrir onde comprar isso aqui, nego vai poder me extorquir a vontade. e se vier no galãozão de praia, com aquela água igualmente duvidosa... hmmm! matte, assim como cerveja gelada, não combina com higiene.
5 - samba
não tenho vergonha nenhuma de assumir que curto a tríade máxima da alienação brasileirazzzzz: samba, cerveja e futebol. me julguem!
uma coisa que eu amo muito aqui (pra não parecer que eu sou uma mal-humorada): livros são baratíssimos! quando a saudade aperta muito, eu me perco em um. mesmo assim pedi pra mamãe me trazer os da paula pimenta porque a) tava com saudade de ler em português; b) tava com saudade do meu emprego brasileiro. tô surpreendentemente devorando todos eles e adorando discordar do ideal dela de romantismo. o tal do leo me irrita num grau absurdo, mas eu não consigo parar de ler e torcer pra fani dar um pé na bunda dele e pegar o christian - o que, é claro, duvido que aconteça. sim, voltei a ter 12 anos e tô torcendo pra casal de chicklit. e tô amando muito tudo isso!
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